Justiça determina que BH adote medidas emergenciais na Barragem da Lagoa do Nado

Justiça determina que Prefeitura de BH adote medidas emergenciais na Barragem da Lagoa do Nado em até 30 dias após rompimento ocorrido em 2024.

Fev 10, 2026 - 14:54
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Justiça determina que BH adote medidas emergenciais na Barragem da Lagoa do Nado

A Justiça determinou que o município de Belo Horizonte adote, no prazo de até 30 dias, uma série de medidas emergenciais para garantir a segurança da área remanescente da Barragem da Lagoa do Nado, rompida em novembro de 2024, no bairro Itapoã, na região Norte da capital. A decisão liminar atende a um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que ajuizou uma Ação Civil Pública contra o município ainda no ano passado. Em resposta, o prefeito Álvaro Damião disse que a área já vem sendo monitorada (leia abaixo).

A liminar, proferida pela 1ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal, aponta falhas graves na gestão, operação e manutenção da barragem, atribuídas ao poder público municipal. De acordo com a decisão, o rompimento da estrutura não foi causado apenas pelas chuvas intensas registradas à época, mas principalmente pela obstrução do vertedouro por comportas de madeira, conhecidas como “stop logs”. A Justiça destacou que essa intervenção reduziu a capacidade de vazão da barragem em cerca de 64%, o que contribuiu diretamente para o transbordamento.

Diante desse cenário, a Justiça deferiu parcialmente o pedido do MPMG e determinou que a Prefeitura de Belo Horizonte apresente e inicie a execução de um plano emergencial de segurança da área remanescente da barragem, com cronograma físico-financeiro. A decisão também obriga o município a implantar sinalização de emergência, plano de evacuação com rotas de fuga e pontos de encontro, além de um sistema de alerta sonoro. Outras medidas incluem a instalação de videomonitoramento contínuo, 24 horas por dia, e a contratação de uma equipe técnica multidisciplinar independente para avaliar os riscos residuais e propor ações de recuperação ambiental.

Na decisão, a Justiça destacou que a simples interdição do parque não elimina os riscos à população e ao meio ambiente, sobretudo diante da instabilidade da estrutura remanescente e da possibilidade de novas chuvas. O texto afirma ainda que a previsão de uma futura licitação para reconstrução da barragem, com início das obras apenas no segundo semestre de 2026, não afasta a urgência das medidas emergenciais.

Em resposta, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), afirmou que o município já vinha adotando parte das ações determinadas pela Justiça. Segundo ele, a área da Lagoa do Nado está sendo monitorada desde o ano passado. “Na verdade, a gente já estava adotando esse posicionamento. A Lagoa do Nada está sendo monitorada desde o ano passado, então não é algo que começou agora”, declarou.

O prefeito ressaltou ainda que, após o rompimento da barragem, qualquer intervenção precisa ser feita com cautela. “Como houve um rompimento de barragem, tudo precisa ser feito com muito cuidado. Não é simplesmente chegar lá e fazer um muro de concreto. As intervenções precisam ser realizadas de forma responsável”, afirmou.

Álvaro Damião disse também que a prefeitura não deve ter dificuldades em cumprir a decisão judicial. “A gente já está, inclusive, antecipando o cumprimento da decisão. Se a Justiça está pedindo isso agora, podemos dizer com tranquilidade que já estamos fazendo e não teremos nenhuma dificuldade em explicar”, concluiu.

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